quarta-feira, julho 25, 2012

O Espetacular Homem-Aranha

Maio de 2007. Lá estou eu trancado em um ônibus lotado no meio de um engarrafamento, me segurando naquelas barras do teto e sentindo todo meu sangue dos braços voltando pro corpo. Mas nada disso importa, porque estou em posse de um pedaço de papel impresso que me garantiria a entrada para a estreia mundial de Homem-Aranha 3. O primeiro HA tinha sido o filme da minha infância, o segundo elevou os filmes de super-herói da época a outro nível, e agora, depois de 3 anos de espera, estava finalmente indo ver o terceiro capítulo que fecharia a saga que já era parte da minha vida. Depois de DUAS horas no ônibus, finalmente chego no shopping que era literalmente DO OUTRO LADO da cidade (porém o que teria as sessões mais cedo). Subo os 4 lances de escadas rolantes, chego na frente do cinema, entrego meu ingresso, pego o canhoto, respiro fundo e corajosamente adentro na sala de cinema para enfim encontrar o meu destino.

Duas horas depois eu saio de lá, e... e... E... ok, o que foi isso que eu acabei de ver?

Foi uma sensação esquisita. Anos me preparando para o que deveria ter sido o filme mais emocionante da minha vida, mas quando chegamos na cena da dança com a Gwen no bar eu já sinceramente não sabia o que fazer. Eu não sabia se deveria estar gostando daquilo ou chorando pra ir embora. A minha vontade era de virar para a pessoa ao lado e perguntar se o problema era com o filme ou comigo mesmo. Saí do cinema com aquele gosto estranho na boca, e demorou algumas horas pra finalmente aceitar que o filme era ruim. Acho que a única coisa que se salva no circo que é HA3 é a cena final, por dois motivos: primeiro, porque é uma cena íntima e bonita, fugindo do previsível “Homem-Aranha-se-balançando-entre-os-prédios-com-a-música-tema-rolando-no-fundo”; e, segundo, porque significa que o filme acabou.

why

Homem-Aranha 3 foi um erro da humanidade, ao lado do sertanejo universitário, dos desenhos do Rob Liefeld e do Holocausto. Em um só filme, Sam Raimi conseguiu enterrar toda e qualquer chance de continuação do que até pouco tempo atrás era a franquia de super-herói mais bem sucedida até então. Cientistas e pesquisadores renomados das maiores universidades do mundo passaram os 5 anos seguintes trancados em um laboratório revendo o DVD procurando uma resposta para DE ONDE DIABOS Sam Raimi tinha tirado a ideia do Peter de franjinha dançando na rua, mas acharam melhor arquivar este como mais um da longa lista de enigmas insolúveis da ciência e voltar a se dedicar a outras questões menos complicadas e mais divertidas, como o Bóson de Higgs ou a busca por Deus.

Mas além dos fãs, quem também não ficou nada, nada feliz com aquilo tudo foram os produtores da Sony, afinal, ERAM ELES QUE ESTAVAM BANCANDO AQUELA PALHAÇADA ALI. Se não produzissem um filme do Aranha o quanto antes, os direitos voltavam pra Marvel, e é claro que eles não iam querer abrir mão da grana garantida que é a marca Homem-Aranha. Vocês sabem como são esses produtores, né.

Então, o corpo ainda nem tinha esfriando e já estavam procurando outra pessoa pra comandar o novo filme do Homem-Aranha, que agora já estava definido ser um reboot. Não só isso, a Sony também tinha que rejuvenescer a franquia para atrair o público mais jovem. Precisavam de um diretor que falasse a ~~língua dos jovens~~ pra trazer o Homem-Aranha pros tempos modernos, assim como um novo ator também. Afinal, em HA3, Tobey Maguire já estava com seus quase 30 anos. Continuassem nesse ritmo e o sexto filme seria sobre Peter Parker combatendo o crime ao mesmo tempo que luta contra o seu problema nas costas e o dinheiro da aposentadoria que nunca vem. Então o que eles fizeram? Escalaram um novo Peter Parker... que também já tem quase 30 anos.

Também colocaram uma Mary Jane loira que não tem nos quadrinhos, achei bem desnecessário isso, parece que nunca leram os gibis.

E assim nasceu O ESPETACULAR Homem-Aranha, sob a batuta do Marc Webb, que ficou com a responsabilidade de apagar da mente de todo mundo o último filme. Será que ele conseguiu? Acompanhem comigo nesta ESPETACULAR resenha após os reclames do plim plim.

O Mais ou Menos Homem-Aranha

O ESPETAAAAAACULAR Homem-Aranha estreou no dia 6, mas não sem antes ter TRÊS pré-estreias. Pré-estreia, pra quem não sabe, são aquelas sessões que servem pra galera empolgada que usa máscara do Homem-Aranha e camisa de meme ir logo nos primeiros dias e esvaziar as sessões dos dias seguintes, assim as pessoas normais podem ver um filme sem um monte de retardado gritando o tempo tofo. E foi o que eu fiz: esperei todo mundo que compartilhava no Facebook imagens de “ESTA PESSOA vai ver O Espetacular Homem-Aranha” com uma setinha apontando pro avatar ir ao cinema primeiro, então peguei 7 reais e fui com a roupa mesmo que eu tava em casa ao cinema em uma sessão deliciosamente vazia. Como é bom apoiar os pés na cadeira da frente.

Ah, essa resenha NÃO tem spoilers, então vai na fé.
< br/> Então, o filme começa com aquela tradicional abertura do título do filme cercado de teias de aranha, o que já é de praxe e serve pra qualquer um entender de quem que é aquele filme ali. Devo dizer que é a abertura menos inspirada de todos os filmes do Aranha (talvez pra não expor a trilha sonora do filme e deixar uma má impressão logo de cara, mas logo eu falo mais sobre ela), e que até quem não gosta dos filmes antigos tem que concordar que as aberturas com a música tema do Danny Elfman eram um show à parte – e antes que comecem a xilicar, vou deixar as comparações com os filmes anteriores por aqui.

Continuando.

O Espetacular Homem-Aranha perde um longo tempo (praticamente metade do filme) se preocupando em reapresentar os personagens e recontar a origem que todo mundo já viu no filme de 2002 (sinceramente, tem alguém que ainda não viu?), mudando apenas alguns detalhes aqui e ali. Por exemplo: agora conhecemos o pai de Peter, que era um cientista e trabalhava em um projeto secreto envolvendo (adivinhem) aranhas para a Oscorp, porém tanto ele quanto a esposa misteriosamente quando Pedro Prado ainda era criança. E é esse o plot do filme no começo: a busca de um jovem pela verdade por trás do desaparecimento dos pais.

Sim, “no começo”, porque o roteiro de O Espetacular Homem-Aranha é mais perdido do que o próprio personagem principal: depois de um tempo, o filme simplesmente abandona o plot da busca pelos pais e passa a ser sobre Peter procurando o assassino de tio Ben, até eles resolverem mudar DE NOVO e o filme passa a ser sobre o Homem-Aranha tentando impedir os planos do Lagarto, e essa é a única história que realmente chega a um desfecho, porque tanto a busca pelos pais quanto a pelo assassino são simplesmente varridas pra baixo do tapete e ninguém parece se lembrar delas pelo resto do filme. É como se fosse “eu preciso descobrir a verdade sobre os meus pais custe o que custar MAS CARAMBA mataram meu tio Ben então vou usar meus poderes recém-adquiridos e não vou descansar até encontrar esse maluco EITA tem um dinossauro solto por Nova York e eu sou o único que pode impedi-lo então vou bater nele aqui soltar esse antídoto (que bom que sempre tem um antídoto) ali e, bom, tá tudo bem agora. O que eu tava fazendo mesmo?” Essa é basicamente uma forma dos roteiristas dizerem pro público FODA-SE os pais do Peter FODA-SE o tio Ben, tomem aqui um quebra-pau com um Lagarto gigante sorridente já que é isso que vocês querem mesmo.


Quanto ao Peter do Andrew Garfield, esse merece alguns parágrafos só pra ele. A maior característica do Homem-Aranha, o que destaca e faz dele o mais querido de todos os super-heróis, é não outra coisa senão a identificação. O Homem-Aranha é, antes de tudo, antes dos poderes aracnídeos, dos lançadores de teia e do collant entrando na bunda, Peter Parker, um jovem criado a leite com pêra e doces caramelizados da geladeira pelo tio e tia queridos. É um adolescente como grande parte do público é quando começa a acompanhar suas aventuras, público este que vai crescendo e aprendendo o peso das escolhas responsabilidades não COM ele, mas JUNTO com. Em suma, enquanto Batman, Superman , Homem de Ferro e Capitão América são o que nós gostaríamos de ser, Peter Parker é o que nós somos. E isso é que é o verdadeiro “espetacular”.

Não quero dizer que Andrew Garfield tenha sido uma má escolha para o papel, pelo contrário: Garfield nunca escondeu que é fã do personagem, e quem viu o discurso emocinado dele na Comic Con do ano passado viu não um ator agradecendo pela chance de interpretar um papel, mas um fã de um herói realizando seu maior sonho: se tornando ele. Porra, isso é fantástico. Significaria que, mesmo que o filme fosse uma bomba, pelo menos o elemento “identificação com o público” estaria garantido nesse novo filme, certo?

Errado. Marc Webb errou feio a mão ao com esse novo Peter Parker. Você vê, Andrew Garfield não convence em nenhum momento como o nerd excluído que o personagem pede. O problema não é nem com o ator, mas sim da caracterização dele: do cabelo da moda estilo penteio-meu-cabelo-pra-parece-que-não à jaqueta (em algumas cenas trocada por um moleton com o capuz na cabeça, que é aparentemente o figurino oficial dos personagens em luto), o bullying que o personagem sofre não é justificado em momento algum, já que se estivéssemos em uma escola de verdade, essa versão do Pedro Prado já teria ganhado uma página do Facebook criada pelas garotas da escola chamada PeterParkerFans. E um programa na MTV.
(Isso sem falar no skate, que não faz SENTIDO NENHUM, afinal pessoas que andam de skate e leitores de quadrinhos são dois públicos COMPLETAMENTE diferentes. E os óculos, que se nos quadrinhos eram um dos principais motivos pelos quais o Flash descia o cacete no Peter, aqui são daquele tipo de armação que você espera encontrar na cara de um hipster que frequenta Starbucks e beija rapazes, não de um nerd que apanha todo dia no intervalo. Aliás, fiquei até surpreso quando vi o Peter usando uma câmera - vintage, claro - e não um iPhone com Instagram.)

Esse Peter Parker é tão da nova geração que só faltava se chamar Jonathan

Existe uma cena logo no começo em que o Flash está obrigando um moleque a comer um prato de cabeça pra baixo, e a galera toda ao redor grita incentivando. Até que Peter chega e diz pra ele parar, e é aí então que ele leva uma surra. Nessa cena, é como se os roteiristas procurassem estabelecer desde o início o já manjado “ele sempre teve alma de herói por isso usou os poderes para o bem”, o que, novamente, vai contra a natureza do próprio. Eu explico: como disse, a beleza do Homem-Aranha é aprender junto com ele. Peter Parker era egoísta como qualquer adolescente, tanto que, assim que adquiriu os poderes, o primeiro pensamento que passou pela sua cabeça não foi salvar a humanidade e proteger os pobres indefesos. Não. Ele pensou o que, convenhamos, todos nós pensaríamos na mesma situação: se dar bem. E isso só mudou mesmo com a morte do tio Ben. Daí que vem a lendária frase “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades” (Caio F. Abreu). Não foi algo que foi dito a ele, mas algo que ele teve que aprender da pior maneira possível, perdendo uma das pessoas que mais amava. Mas aqui nessa versão ele chega boladão, praticamente ofecerendo a cara a tapa. É como se seu caráter já estivesse formado desde o início, tirando completamente toda a beleza de aprendermos essa dura lição junto com ele (mesmo que pela milésima vez).

O filme também não se preocupa em momento nenhum mostrar um Peter feliz pela descoberta dos poderes. Porra, aquela é a maior transformação da vida dele. Imagina que você é um zé ninguém, que um dia acorda e com os poderes e a força proporcionais à de uma aranha, o que você faria? Estudar no telhado com certeza não.

O Peter aqui também parece sofrer de uma enorme necessidade de atenção: seja na cena já citada em que ele tenta impedir o Flash com todo mundo ao redor, ou então quando, já com os poderes, resolve humilhar o mesmo na frente de toda a escola em uma partida de (acreditem) basquete, o que não lembra nem um pouco aquele Peter dos quadrinhos que só quer ser deixado em paz e passar pelo Ensino Médio sem ser notado. E a cena do primeiro beijo chega a ser um estupro de tão forçada. Sinceramente, só quem gostou dessa cena foram garotas que gostariam de estar no lugar da Gwen e levar teiada do Andrew Garfield na bunda.

Então quando vejo as pessoas falando “AIINN, MAS ESSE PETER TÁ MUITO MAIS FIEL AOS QUADRINHOS!!!!!!!”, eu me pergunto fiel em QUÊ exatamente. “Fiel na aparência!!!” ok, pode até ser fiel à versão Ultimate, que é realmente mais esguio, mas o Peter do Steve Ditko sempre foi parrudinho. E, por favor, o Andrew Garfield definitivamente não se parece nem um pouco com isso:


“Fiel porque ele é piadista!!” Quando a Sony liberou um vídeo da cena completa do Aranha prendendo o ladrão de carro na parede com a teia, esse foi o argumento que mais vi por aí. Realmente, se tem algo que senti falta na trilogia do Sam Raimi foi o Aranha fazendo as piadas ruins enquanto socava os vilões, mas isso iria de contra ao Peter Parker mais melancólico do Tobey Maguire, então não teria muito sentido (coisa que o filme compensava com várias gags do Peter se fodendo). Então veio o HA do Marc Webb, temos essa cena e... nada. O Aranha fazendo piadas é simplesmente ESQUECIDO pelo roteiro, deixando claro mais uma vez a colcha de retalhos que é o filme.

(E, sinceramente, a única cena que me fez rir mesmo foi o cameo do Stan Lee, genial como sempre, porque a cena dele se metendo acidentalmente em uma luta no metrô chegou a me dar vergonha)
Temos a Emma Stone como Gwen, e a semelhança com a personagem é absurda: do cabelo ao figurino, com as botas até o joelho e jaquetinhas, só amor com relação a ela. O tio Ben e tia May quase não têm destaque, o que é uma pena porque achei que desta vez teríamos um destaque maior principalmente pro primeiro. É triste ver que todo o impacto da morte da principal figura paterna do Peter é simplesmente deixado de lado pelo roteiro, e a cena da morte é de fazer chorar não de emoção, mas por não provocar nenhuma mesmo.

Além disso, em momento algum o Curt Connors convence como o cientista genial que o filme tenta nos dizer que ele é, principalmente quando um ESTUDANTE DO ENSINO MÉDIO consegue resolver em minutos uma equação que ele não conseguiu em 20 ANOS (o Peter é um gênio, ok, mas CALMA LÁ NÉ PESSOAL). Sem falar que o masterplan dele segue o básico do manual do supervilão virei-um-monstro-maluco-então-vou-transformar-todo-mundo-também, utilizando para isso, aliás, uma máquina de disseminar gases que poderia ser usada como arma bioquímica pra exterminar nações, que estava jogada NO MEIO do laboratório ACUMULANDO POEIRA (coisa que o próprio Dr. Connors explica), E SIMPLESMENTE NINGUÉM ACHA ISSO UMA MÁ IDEIA. Puta que pariu, tinha mais é que todo mundo virar lagarto e se foder mesmo.

Inclusive me senti várias vezes insultado pelo filme, uma delas já na primeira cena, quando vemos o quadro negro do pai do Peter cheio de equações e cálculos matemáticos super complexos e... um desenho de uma aranha gigante no meio de tudo, afinal, números são complicados demais.

Ou então na cena em que Peter descobre os planos do vilão, ao encontrar o seu laboratório secreto no esgoto repleto de experiências e desenhos auto-explicativos, como uma torre da Oscorp circulada 500 vezes com canetinha (só faltava um monte de setinhas feitas com marca texto) e VÍDEOS do Dr. Connors explicando pra câmera todos os detalhes do plano. Agora vamos pensar um pouco: um cientista supostamente brilhante com um plano de dominação mundial sai pra, sei lá, comprar pão na padaria e larga seu laboratório com todos os detalhes de seu plano maligno com desenhos que uma criança de 10 anos entenderia. É a versão cinematográfica do “entendeu ou quer que eu desenhe?”, o filme assume que o público não entenderia se não fosse através de desenhos auto-explicativos. Será que o Oppenheimer escrevia suas equações e após o sinal de igualdade desenhava explosões com um “BOOM!” quando projetava a bomba atômica? Provavelmente sim, porque é isso que cientistas brilhantes fazem.

PC PARKEIRA

A trilha sonora é outro problema. Você sabe que uma trilha é boa quando você sai do cinema e fica cantarolando a música tema por horas, algumas te marcam de um jeito que só de ouvir a primeira nota o seu cérebro já associa imediatamente ao filme em questão. Isso NÃO acontece em OEHA, mesmo forçando a memória eu não consigo lembrar de jeito nenhum da música tema, e duvido que você aí consiga. Em momentos descontraídos, o filme adota uma trilha “engraçadinha”, daquelas que a gente espera encontrar em filmes de cachorros muito espertos que jogam futebol. Então algo mais sério acontece na tela, e a trilha muda na mesma hora pra outra mais séria, pra mostrar que, ei cara, isso é realmente sério. A trilha chega ao cúmulo mesmo quando, na cena em que a Gwen se esconde do Lagarto no laboratório, a mesma é embalada por (juro) aquele som de batida de teclas que toda pessoa que não sabe tocar piano faz quando vê um. E eu não duvido nada que seja isso que tenha acontecido mesmo.

“MAS  UKIIII, TUDO É RUIM NESSE FILME ENTÃO?” Bom, não. Algumas cenas se salvam, como a da criança no carro em chamas, a teia criada no esgoto, e até o romance do Peter com a Gwen é bonitinho (mais pelo carisma e improvisos do Andrew Garfield e da Emma Stone que pelo romance em si, que é bem geração Crepúsculo). O uniforme que eu achei que me incomodaria bastante passou despercebido, assim como os lançadores de teia, que aqui são bem melhor apresentados do que até nos quadrinhos. Gostei do destaque maior que deram ao Flash, inclusive mostrando a idolatria que ele tem pelo Homem-Aranha. Sem falar que as cenas de ação feitas por atores de carne-e-osso mesmo, seja lutando ou balançando na teia, são ótimas (e é uma pena que o CGI não convença nem um pouco).

Resumindo: O Espetacular Homem-Aranha foi feito às pressas pra não perder os direitos do personagem, isso todo mundo sabe, mas ele não se dá nem ao trabalho de esconder isso. Em um reboot de uma história que foi encerrada há só 5 anos, você espera algo que faça jus ao espetacular do título e te faça esquecer os filmes anteriores, ou no mínimo mantenha a qualidade. Isso definitivamente não acontece. Tudo é ruim nele? Não. Mas acabam se perdem no mar de absurdos que é o resto do filme. Na tentativa de atualizar a história do Peter Parker, mudaram elementos importantíssimos do mesmo, acabando completamente com qualquer chance de identificação entre personagem-público, que basicamente é o que se espera em uma história do Homem-Aranha.

No final das contas, essa “origem contada sob outro olhar” em momento algum justifica a sua existência senão ser mais um caça-níqueis feito pra arrancar mais dinheiro dos fãs. O que é uma pena, porque tanto Peter Parker quanto nós mesmos definitivamente merecíamos mais.


Por todos esses motivos, eu dou a este filme 2 cabeças do André Garfildo, que é o meu mais novo critério de avaliação.



Nota da @freeblowjob: 2 cabeças do Andrew equivalem a aproximadamente 4,5 cabeças de pessoas normais, então tá tudo bem.