quinta-feira, outubro 29, 2009

Love will tear us apart

Parte I: Love will tear us apart
Parte II: From safety to where...?
Parte III: A means to an end
Parte IV: These days
Final: Atmosphere

Como leitores fiéis e seguidores fervorosos deste que vos escreve (como se vocês não estivessem aqui só pelo flood, caham), me sinto na obrigação de narrar para vocês todas (ou pelo menos as mais interessantes) desventuras que me acometeram nesse meio tempo. Então peguem seus ovomaltines com Doritos e abundem-se em suas cadeiras, pois aí vem mais um post com muita ação, aventura, romance, sacanagem, lésbicas ruivas bissexuais, muita confusão e outras palavras esdrúxulas e inóspitas que você só ouve nas chamadas da Sessão da Tarde.

Mentira. Este é um post açucarado, diarinho, parado, chato e de meninas. Se eu fosse você, parava de ler enquanto ainda é tempo.

Pois bem, vejamos, onde eu parei quando deixei vocês? Então, eu e a Liz estávamos... Pera, eu ainda não contei pra vocês como nós ficamos juntos, certo? Ok, então vamos voltar alguns meses mais no tempo. Mais exatamente, novembro de 2007. Imaginem vocês um moleque de uns 15 anos cercado de otakus malucos por todos os lados, agachado em posição fecal sobre um banco dando mordiscadelas no polegar da mão direita, usando apenas un jeans sujo, uma camisa branca e uma quantidade absurda de gel para cabelo sobre a cabeça. Sim, era um evento otaku. Sim, eu estava fazendo cosplay de L.

E foi nesta exata situação e posição ingrata que vos descrevo, que conheci a... Patrícia, com quem eu acabei ficando por um tempo e tudo mais. Maaas esse não é o ponto. O negócio mesmo é que, se não fosse por ela, eu nunca teria conhecido a AMIGA dela, a já supracitada Dizzy Miss Lizzy. Nos conhecemos, nos demos bem, nos demos muito bem. Logo, logo já éramos melhores amigos e saíamos pra todos os cantos juntos. Tudo muito lindo, tudo muito colorido, até que, como não podia deixar de ser e previsível desde o comeco, lá fui eu me apaixonar por ela. E, como todo nerd que se apaixona pela melhor amiga, eu poderia passar perfeitamente o resto da minha vida sem falar absolutamente nada e esconder meu platonismo numa boa que para mim estaria ótimo. Já tendo aceitado o fato de que nunca seria correspondido, eu estava completamente OK com isso.

Como vocês podem ver, eu sou um viado.

Mas continuemos o post.

Vocês com certeza não repararam, mas a Liz é uma personagem recorrente aqui no blog e já foi citada várias vezes sorrateiramente em vários posts, como no final da resenha do Wolverine; ela também estava comigo no shopping no dia do ataque dos emos ou quando eu percebi que a minha nerdice já estava atingindo níveis alarmantes; e, como se já não fosse o suficiente, ela também estava lá comigo no evento otaku quando eu topei com o Goku, e o post sobre a Friend Zone só existe por causa dela, assim como aquele em que eu pedia a ajuda de vocês para fazer algo especial para uma certa amiga.

Então, gostamos um do outro, nos conhecemos melhor, ficamos amigos, saímos juntos, conversamos juntos, rimos juntos, ela me contava tudo, tudo mesmo. Assim foi do final de 2007 até o segundo semestre de 2008, quando o fato de que eu nunca seria correspondido já não estava mais tão OK assim pra mim. Então, covarde como eu sou, resolvi me afastar. E foi nessa minha fase de José Matias, aliás, que eu me aproximei mais da Marina, a qual foi peça importante na minha vida e que com certeza vocês vão vê-la de novo em algum post no futuro - não é a toa que eu trago comigo até hoje o cordão de palheta que ela me deu ao redor do pescoço.

Continuamos afastados até o início do ano letivo de 2009, quando alguém da coordenação do nosso colégio achou que seria muito engraçado colocar nós dois na mesma turma (TAH SE DIVERTINDO, FDP??//). Então, graças à Liz, eu conheci Odie e Lulu. A primeira, importada diretamente do Rio de Janeiro e detentora de uma cabeça anormalmente grande para comportar seu cérebro igualmente absurdo, possui um sério problema com ruivas - sua maior paixão e fraqueza. Já quanto ao Odie, seria necessário um post inteiro pra descrevê-lo satisfatoriamente. De forma resumida, sabem o Barney de How I Met Your Mother? É um Odie de terno. Junto com o Pedroca, meu primo peludo insensível, bipolar, psicopata em potencial e fã de Capital Inicial, nossa pequena trupe e personagens centrais desta saga estava formada, e é aqui que nossa história, de fato, começa.


Um belo dia, resolvi mandar um scrap para Liz.
Luke: preciso te contar uns papos ae.
O problema é que eu NÃO TINHA PAPOS PRA CONTAR, e só tinha mandado o scrap mesmo porque sabia que ela odiava quando alguém fazia algo do tipo, enrolar pra contar alguma fofoca. Isso foi em uma... terça-feira. Na quarta, ela ainda esperava o tal papo e eu, em vez de desmentir logo, fui alimentando a história dizendo "depois eu conto, sério" na tentativa de ganhar tempo para inventar algo realmente interessante e, consequentemente, deixando a guria ainda mais curiosa. Já totalmente esgotado de ideias, recorri à Lulu.

― LULUCARALHOMEAJUDA! EUDISSEPRALIZQUETINHAUNSPAPOSPRACONTARMASEUNÃOTENHOEAGORAELAVAIMEMATARQUANDOSOUBER MEAJUDAQQEUFASO LOL
― Ah, diz que, sei lá... diz que tá gostando dela.


A ideia era GENIAL. Eu chegava pra ela, dizia que estava apaixonado. Ponto. Se a reação dela fosse positiva, ÓTIMO, LUKE SCORES. Pego a cheerleader e salvo o mundo. Agora, se fosse negativa... Ok, eu teria de viver com isso. Não seria bom, claro, mas pelo menos eu teria um backup. Afinal, qualquer coisa, era só colocar a mão no ombro dela e calmamente dizer "pois é, então, era brinks, gosto de você não, rsrs" e tudo voltaria a ser como antes. Porra, era genial. Imbecil, mas genial.

Tudo que eu precisava fazer era contar a verdade... mentindo.

― Liz... então, err... eu acho que tô gsmcjsfscc scsncjs.
― O quê?

Obrigado, nervosismo.

― Hãããã... tipo, assim... eu... eu acho que t
― OOOIIII LIZ OOOOIII LUKE VOCES JA TAO INDO EMBORA AIN TEVE AULA HOJE?/ COMO VOCE ESTA LUKE QUANTO TEMPO

Pessoas inconvenientes são inconvenientes. Eu juro que não tinha visto a Adriana chegando até que ela me abraçasse do nada e fodesse com a minha segunda tentativa de declaração. Bitch.

Consegui despintar a garota e fui correndo atrás da minha, que continuara andando sorrateiramente enquanto eu ficara para trás.

Alcancei.

― Liz, então. Eu... eu acho que... eu acho que tô gostando de ti.

Ela parou, e sorriu.

― Só acha?
― É, tipo... 90% de certeza.
― Ah...

Eu juro que as mãos nos bolsos, ombros levemente contraídos e olhar para o chão eram apenas parte da minha encenação. Eu estava mentindo que estava mentindo ao mesmo tempo que contava a verdade. Porra, eu sou muito foda.

- Desculpa falar isso, é que...
- Ok, ok... nada vai mudar.

E depois do abraço, cada um foi pra sua casa. Eu fui pelo mesmo caminho de sempre para a minha, a diferença é que hoje eu levava a imagem dela sorrindo na minha cabeça quando ouviu o que eu disse. Apesar do "nada vai mudar", quem sabe... quem sabe dessa vez Lucas Guedes não poderia ter um final feliz?

Isso foi no primeiro dia. No segundo dia, as coisas estavam um tanto... tensas. Falamos pouco e normalmente um com o outro, mas esse "pouco" e "normal" ainda soava estranho. Fim da aula, cada um foi pra sua casa, mas ainda havia alguma coisa pesando na atmosfera. Quando retornamos à tarde para as aulas extras, a tensão já quase não me deixava respirar, então decidi acabar de vez com a papagaiada e contar a verdade pra Liz.

O grande problema é que ela já sabia.

― Liz? Então, lembra daquele negócio que te contei ontem?
― Sim, era brincadeira, eu sei.
― WUT. Quer dizer, como sabes?
― Lulu me contou.
― Aaaahhhh.

Leia-se "aaahhh, filhadaputa, vou comer o cu dela depois". Mais tarde eu fui saber que a Lulu era, na verdade, uma agente dupla, e que seu plano original era fazer com que a Liz entrasse na brincadeira e dissesse que gostava de mim também, virando o jogo TOTALMENTE contra mim. Mas, bem, ela vai se redimir, como vocês verão mais à frente.

― Mas então... tudo bem? Nós podemos voltar como éramos antes?
― Sabe... essa foi uma brincadeira bem idiota. Demais.
― Ah, desculpa, não sabia que ias ficar assim. Se soubesse, não tinh...
― Pensasse antes então, Lucas. As pessoas acham que, por eu não demonstrar tanto quanto elas, eu não tenho sentimentos. Mas eu tenho, e muitas vezes bem mais do que os outros. E se eu gostasse de ti? PELOAMORDEDEUS, não vai pensar que isso é uma indireta ou algo do tipo, porque NÃO É...


Ouch. E eu que tinha começado até a me animar...

― ... mas e se eu gostasse?
― Mas... não gostas.
― Como sabes?
― Eu só... sei.

Foi nessa hora, então, que eu percebi que teria de usar minha última cartada se não quisesse perder a amiga de vez.

― Liz, ok, sério agora. Olha: eu gosto de ti. De verdade. Sempre gostei. Nunca quis falar antes porque senão ia todo mundo ficar "ahh, olha lá o Luke, o idiota que se apaixonou pela melhor amiga", mas... é isso. Eu gosto mesmo. E eu só fiz essa brincadeira porque eu achei que seria uma forma segura de te contar a verdade mas podendo voltar atrás pra salvar nossa amizade, se fosse necessário. Foi idiota, eu sei, desculpa. Desculpa mesmo. Agora, só... vamos sair daqui, ir pra lá, esquecer tudo isso e fingir que nada aconteceu. Pode ser?

Mais um abraço. É, eu sou bom pedindo desculpas. Tudo bem que, se for ver como realmente aconteceu, eu gaguejei pra caralho e tropecei nas palavras bem mais do que gostaria, mas enfim.

Depois da aula, casa. E aquela noite, pra mim, foi um inferno.

Terceiro dia. Apesar de tudo que tinha acontecido nos dias anteriores, nós dois estávamos até que relativamente normais um para com o outro. Fim da aula, vou lá pegar meu ônibus de volta para casa. Fuck, eu não só tinha violado a minha principal regra com relação a amores platônicos e me declarado para uma delas como também havia sido aparentemente desprezado pela mesma. Podia ficar pior?

No ônibus, Lulu me liga.

― Alô, Luke? Podes vir aqui no cursinho comigo e com a Liz? É que nós vamos chegar mais cedo e não vai ter nada pra fazer, então passa aqui umas 18h, pode ser?
― Ok. Beijo, tchau.

Liz e Lulu faziam cursinho à noite juntas, como vocês devem ter notado. Cheguei lá às 18h em ponto, sentei e esperei. Logo as duas chegaram. Passamos um bom tempo conversando, até que chega a minha hora de ir embora.

― Eu te levo lá na frente ― diz Liz.
― Tá ― me levanto e os dois vão caminhando até lá.
― Pareces meio doentinho.
― Nah, é minha rinite. Maldito clima úmido.
― Né.
― Vais amanhã pra aula?
― Aham ― chegamos. ― Então... é isso. Tchau, Liz.
― Tchau.

Abraço.

Separação.

Mãos dela ainda nos meus ombros, me puxam de volta.

Primeiro beijo.



Separa.

— Vais pra aula amanhã? ― ela.
... aham.

Voltei pra casa correndo naquela noite e tropecei numas três lixeiras pelo caminho.

FIM DA PARTE I - continua se o meu saco permitir, assim como o de vocês.

sexta-feira, outubro 23, 2009

Cigarrettes and alcohol

A adolescência é um período conturbado na vida de qualquer ser humano, fase das descobertas, aventuras, paixões, azaração, pegação, muita confusão e idas ao Gigabyte pra pagar uma RODADA DE SUCO PRA GALERA


- AEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE

Ok.

Então, a adolescência. Essa época de transição da infância para a maioridade, cheia de problemas e dúvidas. Quem nunca teve problemas com a lei na adolescência? Quem nunca traficou camisinhas cheias de drogas nos próprios orifícios para cruzar a fronteira do país quando adolescente? Quem nunca roubou, dirigiu o carro do pai sem carteira, atropelou, estuprou, extorquiu, sequestrou, estripou, usou drogas, portou armas ilegalmente, mijou na cara, cometeu homicídio, cortou o corpo em pedacinhos e escondeu no sótão de casa quando era jovem e incauto?

Ontem tive meu primeiro problema sério com autoridades, jogatina, mulher, sexo e bebidas, tudo em uma só tarde. Sabem o significado da expressão CU NA MÃO? Pois então, agora eu sei MUITO BEM. E o pior é que tudo começa de forma relativamente simples. Começa com um jogo. Um jogo bem divertido que nós gostamos de chamar de Poder do Dedo.

Primeiro de tudo, Poder do Dedo é um jogo de... bem, é um jogo de bêbados. Segundo, apesar de tudo o que você provavelmente e com certeza está pensando agora, não envolve nada de homo nem sexual. Você não vira um copo de Devassa e sai fazendo fio-terra nos seus amigos, obviamente. Terceiro, é um jogo de cartas, cujas regras são, basicamente, deixar um baralho no meio de uma roda de amigos, então o primeiro tira uma carta e, de acordo com o número desta, algo acontece. Por exemplo, se for um 9, todos tem de fazer qualquer coisa que o que tirou mandar; se for um 5, todos brincam de "eu nunca"; uma rainha, todas as mulheres viram o copo, assim como se for um valete todos os machos o fazem e se for um rei, auto-kill, a pessa que tirou a carta bebe; um 7 é o chamado Poder do Dedo que dá nome a jogo, onde você aponta a pessoa que você quer que vire o copo de cana e ela TEM que fazer, etc. Diversão infinita - se você for maior de idade, claro.

Agora, os personagens: Luke (oi), Odie (mais velho do grupo e guia oficial do mau caminho; alguns dizem que é Lúcifer encarnado, mas não temos como ter certeza), Lulu (não se deixe enganar pelo nome, tem mais colhões do que todos do grupo JUNTOS), Marcos (parceiro de bagaceira de Odie e manjador da putaria), Shino (remanescente da imigração coreana para Belém do Pará, tem cabelo de samurai e é sábio conhecedor das artes sagradas orientais, tais como... barquinhos de papel) e Alina (novata no grupo, ex-otaku e hipoglicêmica; nunca tinha bebido mais do que um copo antes em todos os seus 17 anos de vida - e guarde bem esta informação porque vai ser bem importante mais pra frente). O lugar? Bem, tudo o que vocês precisam - e vão - saber, é que era uma área militar. Primeiramente estávamos em nosso QG, conversando, até que um do grupo teve uma brilhante ideia, virou pros outros e disse:

- Bicho, vamo pro clube.
- Fazer o quê?
- Beber... café.


"Meu Deus, Luke, você é tão hardcore." (Raphael Azevedo, do Odeio e Justifico)

Outra coisa MUITO importante que vocês precisam saber antes de prosseguir com a história é que, como vocês bem sabem, o consumo exagerado de cafeína deixa as pessoas... alegrinhas. Após vários casos envolvendo adolescentes, cappuccinos e atos de vandalismo pela cidade de Belém do Pariu na década de 30, o então interventor Magalhães Barata decidiu proibir o consumo de bebidas com cafeína por menores de idade em 1930, lei em vigor até hoje. E se algum maior for pego em flagrante bebendo café com um dimenor, o adulto pode pegar até 5 anos de prisão, no mínimo. E foram nessas circunstâncias que eu e mais cinco amigos corajosamente adentramos em uma área militar para jogar Poder do Dedo e beber... café.

Compramos uma garrafa térmica de café no posto, colocamos dentro de garrafas de refrigerante e traficamos para dentro da área. Escolhemos uma mesa, fizemos a roda e começamos o jogo. Existe uma regra sobre o Poder do Dedo que diz: você não fala do Poder do Dedo. E também outra, muito importante, que diz: você NÃO FALA do Poder do Dedo. O que acontece no jogo, fica no jogo, então é por isso que eu vou avançar um pouco esta parte.

Após várias viradas de cartas e xícaras, o jogo continuava rolando mas nós já não estávamos mais tão conscientes disso. Depois de todos terem formado fila indiana e dançado macarena pelo clube quando a Lulu tirou um 9 (ACHO que foi depois disso, a essa altura eu já não tinha mais muita noção da sequência correta dos fatos), Alina diz que precisa ir ao banheiro. Eu prontamente me disponho a guiá-la até lá, uma vez que a coordenação da garota já não estava lá das melhores e eu sou um ótimo amigo, perfeito cavalheiro e ainda danço bem pacas. O quê, me aproveitar? Pff, não sejam tolos.

Estamos a meio caminho do banheiro, eu a levando pelo braço, quando o Odie vem correndo até mim e diz que Lulu me chamava. Ah, ok, espera aqui enquanto eu vou lá então, Alina. É rapidinho.

- Lulu, me chamou?
- Ué, não.
- .................................................


É, agora só me restava esperar com o resto do grupo, uma vez que já tínhamos acabado com o café e, consequentemente, o jogo.

Pouco tempo depois, Odie sai disparado do banheiro, suado e ofegante, chamando o grupo e dizendo que a Alina estava "pirando dentro do banheiro".

Curiosamente, as letras M, É, N, A, G e E surgiram por alguns segundos na minha cabeça, mas enfim.

Fomos até o banheiro, apenas para encontrar uma Alina, literalmente, ROFLando. Levantamos a garota, equilibramos na pia e tentamos encontrar um mínimo de consciência dentro dela, mas aparentemente ela já tinha abandonado aquele corpo faz um bom tempo. Além de não conseguir ficar em pé e não reconhecer nenhum de nós, ainda balbuciava coisas sem sentido em um volume um tanto... alto. E não demorou até aquela agitação toda chamar a atenção dos 5 (ou eram 10?) militares que estavam lá perto, um tenente picagrossa que resolvera filar um lanche naquela tarde ensolarada incluso. Percebendo o tamanho da merda em que todos nós estaríamos se eles entrassem no banheiro e encontrassem a garota naquele estado, logo fui para o lado de fora e fiz a melhor cara de paisagem que a cafeína em meu sangue permitia.

-
- Que tá acontecendo aí?!
- Ah, a nossa amiga. Ela tá passando meio mal, ela tem hipo... termia.



Hipotermia em um calor de 38º, genial.

- Hummmm, certo...
- Mas é isso, ela só precisava vomitar um pouco que logo, logo ela fica bem e nós a levamos de volta pra casa. E o senhor, como vai?

Infelizmente, minhas skills em misdirection não foram suficientes para evitar com que eles entrassem no banheiro, no final das contas. Apesar da pouco inteligência típica, não foi difícil para os soldados chegarem ao resultado da equação "6 adolescentes fora da escola + 1(1 menino + 1 menina) encontrados suados no mesmo banheiro + 1 garota completamente fora de si + 1 otário do lado de fora tentando desviar a atenção = TAVAM BEBENDO, NÉ BANDO DE FILHO DA PUTA", tirar todos eles do banheiro e ameaçar enfiar uma autuação no meio de nossos tobas.

Tentamos dar água para a Alina, mas ela virava o rosto e ficava falando "NAAH". Então eu coloquei a mão no ombro dela, olhei bem fundo nos olhos e disse "Alina, aqui é o Luke. Me reconheces?", ao que ela respondia "eU cOnHheÇO SeUss OoOLHosssSs...... CoRdEmeL lL". Nem nosso grupo, nem os militares estavam gostando daquela situação - muito menos o pai dela, como vocês verão mais em frente.

Odie me chamou em um canto e disse.

- Luke, tu é menor de idade. Vai embora daqui agora.
- Não, eu vou ficar. A Alina é minha amiga, eu prometi que ia cuidar dela se ela exagerasse.

Bom trabalho, campeão.

- Não importa, vai embora daqui. Agora.
- Não.
- Vai. E eu não vou falar de novo.
- Ain, ain, tá bom, vai.

Eu e Shino fomos embora de lá o mais rápido possível, Lulu logo atrás. Como Odie e Marcos tinham ambos 19 anos, os dois ficaram lá tentando resolver a treta enquanto nós esperávamos longe dali em um lugar bem seguro, tentando imaginar até onde ia dar essa merda toda. Depois de muito tempo, bem mais do que nós gostaríamos, finalmente chegam Odie e Marcos. Segundo eles, os três foram em uma viatura com os militares, segundo eles para levar a garota ao hospital. Durante a viagem, ela vomitou duas vezes dentro do carro e ainda ficou falando merda atrás de merda. No meio do caminho, o tenente vira e pergunta "onde é sua casa?". Sem ter como fugir sem que fosse pulando pelas janelas e correndo o mais rápido possível, os dois foram levados à presença de ninguém menos que o pai dela, o qual provavelmente só não arrancou o esqueleto do couro dos dois ali mesmo porque haviam testemunhas oculares por perto.

Depois de garantir que ia ao colégio no dia seguinte falar com a nossa orientadora só depois de já ter passado na delegacia mais cedo pra registrar um boletim de ocorrência contra os dois, Odie e Marcos ainda tiveram de limpar o vômito do carro antes de serem levados de volta. Infelizmente para nossos três traseiros underage, os dois não deram nem os nomes do Shino e Lulu, nem o meu. Mas a ameaça de um processo em cima deles ainda tá aí, junto com o risco de alguns cinco anos de cadeia (serviço comunitário é o caralho).

Até o presente momento, está tudo aparentemente bem: Alina conversou com o pai e ele disse que não vai fazer nada do que ameaçara, então nós cinco meio que podemos respirar aliviados, por enquanto. Mas cês sabem como as notícias correm rápido, então não demorou muito até uma espécie de lenda sobre o que teria acontecido com nosso grupinho começar a se formar pelos corredores de nosso colégio. "Eles foram beber no clube, aí uma garota entrou em coma cafeinólico (?) e agora eles estão no hospital tentando salvar o que restou do fígado da menina." A própria orientadora se manifestou e foi de sala em sala avisando às turmas que "uma galera do terceiro ano anda indo beber lá para o clube militar e a galera do segundo ano vai na cola." Chegaram até ao cúmulo, vejam só vocês, de dizer que nós fomos consumir BEBIDAS ALCOÓLICAS. E o pior, ainda disseram que foi uma GARRAFA INTEIRA DE 51 MISTURADA COM TANG DE LARANJA.

Ora porra. Assim vocês insultam a nossa honra, pessoal.