Parte II: From safety to where...?
Parte III: A means to an end
Parte IV: These days
Final: Atmosphere
Como leitores fiéis e seguidores fervorosos deste que vos escreve (como se vocês não estivessem aqui só pelo flood, caham), me sinto na obrigação de narrar para vocês todas (ou pelo menos as mais interessantes) desventuras que me acometeram nesse meio tempo. Então peguem seus ovomaltines com Doritos e abundem-se em suas cadeiras, pois aí vem mais um post com muita ação, aventura, romance, sacanagem, lésbicas ruivas bissexuais, muita confusão e outras palavras esdrúxulas e inóspitas que você só ouve nas chamadas da Sessão da Tarde.
Mentira. Este é um post açucarado, diarinho, parado, chato e de meninas. Se eu fosse você, parava de ler enquanto ainda é tempo.
Pois bem, vejamos, onde eu parei quando deixei vocês? Então, eu e a Liz estávamos... Pera, eu ainda não contei pra vocês como nós ficamos juntos, certo? Ok, então vamos voltar alguns meses mais no tempo. Mais exatamente, novembro de 2007. Imaginem vocês um moleque de uns 15 anos cercado de otakus malucos por todos os lados, agachado em posição fecal sobre um banco dando mordiscadelas no polegar da mão direita, usando apenas un jeans sujo, uma camisa branca e uma quantidade absurda de gel para cabelo sobre a cabeça. Sim, era um evento otaku. Sim, eu estava fazendo cosplay de L.
E foi nesta exata situação e posição ingrata que vos descrevo, que conheci a... Patrícia, com quem eu acabei ficando por um tempo e tudo mais. Maaas esse não é o ponto. O negócio mesmo é que, se não fosse por ela, eu nunca teria conhecido a AMIGA dela, a já supracitada Dizzy Miss Lizzy. Nos conhecemos, nos demos bem, nos demos muito bem. Logo, logo já éramos melhores amigos e saíamos pra todos os cantos juntos. Tudo muito lindo, tudo muito colorido, até que, como não podia deixar de ser e previsível desde o comeco, lá fui eu me apaixonar por ela. E, como todo nerd que se apaixona pela melhor amiga, eu poderia passar perfeitamente o resto da minha vida sem falar absolutamente nada e esconder meu platonismo numa boa que para mim estaria ótimo. Já tendo aceitado o fato de que nunca seria correspondido, eu estava completamente OK com isso.
Como vocês podem ver, eu sou um viado.
Mas continuemos o post.
Vocês com certeza não repararam, mas a Liz é uma personagem recorrente aqui no blog e já foi citada várias vezes sorrateiramente em vários posts, como no final da resenha do Wolverine; ela também estava comigo no shopping no dia do ataque dos emos ou quando eu percebi que a minha nerdice já estava atingindo níveis alarmantes; e, como se já não fosse o suficiente, ela também estava lá comigo no evento otaku quando eu topei com o Goku, e o post sobre a Friend Zone só existe por causa dela, assim como aquele em que eu pedia a ajuda de vocês para fazer algo especial para uma certa amiga.
Então, gostamos um do outro, nos conhecemos melhor, ficamos amigos, saímos juntos, conversamos juntos, rimos juntos, ela me contava tudo, tudo mesmo. Assim foi do final de 2007 até o segundo semestre de 2008, quando o fato de que eu nunca seria correspondido já não estava mais tão OK assim pra mim. Então, covarde como eu sou, resolvi me afastar. E foi nessa minha fase de José Matias, aliás, que eu me aproximei mais da Marina, a qual foi peça importante na minha vida e que com certeza vocês vão vê-la de novo em algum post no futuro - não é a toa que eu trago comigo até hoje o cordão de palheta que ela me deu ao redor do pescoço.
Continuamos afastados até o início do ano letivo de 2009, quando alguém da coordenação do nosso colégio achou que seria muito engraçado colocar nós dois na mesma turma (TAH SE DIVERTINDO, FDP??//). Então, graças à Liz, eu conheci Odie e Lulu. A primeira, importada diretamente do Rio de Janeiro e detentora de uma cabeça anormalmente grande para comportar seu cérebro igualmente absurdo, possui um sério problema com ruivas - sua maior paixão e fraqueza. Já quanto ao Odie, seria necessário um post inteiro pra descrevê-lo satisfatoriamente. De forma resumida, sabem o Barney de How I Met Your Mother? É um Odie de terno. Junto com o Pedroca, meu primo peludo insensível, bipolar, psicopata em potencial e fã de Capital Inicial, nossa pequena trupe e personagens centrais desta saga estava formada, e é aqui que nossa história, de fato, começa.

Um belo dia, resolvi mandar um scrap para Liz.
Luke: preciso te contar uns papos ae.O problema é que eu NÃO TINHA PAPOS PRA CONTAR, e só tinha mandado o scrap mesmo porque sabia que ela odiava quando alguém fazia algo do tipo, enrolar pra contar alguma fofoca. Isso foi em uma... terça-feira. Na quarta, ela ainda esperava o tal papo e eu, em vez de desmentir logo, fui alimentando a história dizendo "depois eu conto, sério" na tentativa de ganhar tempo para inventar algo realmente interessante e, consequentemente, deixando a guria ainda mais curiosa. Já totalmente esgotado de ideias, recorri à Lulu.
― LULUCARALHOMEAJUDA! EUDISSEPRALIZQUETINHAUNSPAPOSPRACONTARMASEUNÃOTENHOEAGORAELAVAIMEMATARQUANDOSOUBER MEAJUDAQQEUFASO LOL
― Ah, diz que, sei lá... diz que tá gostando dela.
―

A ideia era GENIAL. Eu chegava pra ela, dizia que estava apaixonado. Ponto. Se a reação dela fosse positiva, ÓTIMO, LUKE SCORES. Pego a cheerleader e salvo o mundo. Agora, se fosse negativa... Ok, eu teria de viver com isso. Não seria bom, claro, mas pelo menos eu teria um backup. Afinal, qualquer coisa, era só colocar a mão no ombro dela e calmamente dizer "pois é, então, era brinks, gosto de você não, rsrs" e tudo voltaria a ser como antes. Porra, era genial. Imbecil, mas genial.
Tudo que eu precisava fazer era contar a verdade... mentindo.
― Liz... então, err... eu acho que tô gsmcjsfscc scsncjs.
― O quê?
Obrigado, nervosismo.
― Hãããã... tipo, assim... eu... eu acho que t
― OOOIIII LIZ OOOOIII LUKE VOCES JA TAO INDO EMBORA AIN TEVE AULA HOJE?/ COMO VOCE ESTA LUKE QUANTO TEMPO
Pessoas inconvenientes são inconvenientes. Eu juro que não tinha visto a Adriana chegando até que ela me abraçasse do nada e fodesse com a minha segunda tentativa de declaração. Bitch.
Consegui despintar a garota e fui correndo atrás da minha, que continuara andando sorrateiramente enquanto eu ficara para trás.
Alcancei.
― Liz, então. Eu... eu acho que... eu acho que tô gostando de ti.
Ela parou, e sorriu.
― Só acha?
― É, tipo... 90% de certeza.
― Ah...
Eu juro que as mãos nos bolsos, ombros levemente contraídos e olhar para o chão eram apenas parte da minha encenação. Eu estava mentindo que estava mentindo ao mesmo tempo que contava a verdade. Porra, eu sou muito foda.
- Desculpa falar isso, é que...
- Ok, ok... nada vai mudar.
E depois do abraço, cada um foi pra sua casa. Eu fui pelo mesmo caminho de sempre para a minha, a diferença é que hoje eu levava a imagem dela sorrindo na minha cabeça quando ouviu o que eu disse. Apesar do "nada vai mudar", quem sabe... quem sabe dessa vez Lucas Guedes não poderia ter um final feliz?
Isso foi no primeiro dia. No segundo dia, as coisas estavam um tanto... tensas. Falamos pouco e normalmente um com o outro, mas esse "pouco" e "normal" ainda soava estranho. Fim da aula, cada um foi pra sua casa, mas ainda havia alguma coisa pesando na atmosfera. Quando retornamos à tarde para as aulas extras, a tensão já quase não me deixava respirar, então decidi acabar de vez com a papagaiada e contar a verdade pra Liz.
O grande problema é que ela já sabia.
― Liz? Então, lembra daquele negócio que te contei ontem?
― Sim, era brincadeira, eu sei.
― WUT. Quer dizer, como sabes?
― Lulu me contou.
― Aaaahhhh.
Leia-se "aaahhh, filhadaputa, vou comer o cu dela depois". Mais tarde eu fui saber que a Lulu era, na verdade, uma agente dupla, e que seu plano original era fazer com que a Liz entrasse na brincadeira e dissesse que gostava de mim também, virando o jogo TOTALMENTE contra mim. Mas, bem, ela vai se redimir, como vocês verão mais à frente.
― Mas então... tudo bem? Nós podemos voltar como éramos antes?
― Sabe... essa foi uma brincadeira bem idiota. Demais.
― Ah, desculpa, não sabia que ias ficar assim. Se soubesse, não tinh...
― Pensasse antes então, Lucas. As pessoas acham que, por eu não demonstrar tanto quanto elas, eu não tenho sentimentos. Mas eu tenho, e muitas vezes bem mais do que os outros. E se eu gostasse de ti? PELOAMORDEDEUS, não vai pensar que isso é uma indireta ou algo do tipo, porque NÃO É...

Ouch. E eu que tinha começado até a me animar...
― ... mas e se eu gostasse?
― Mas... não gostas.
― Como sabes?
― Eu só... sei.
Foi nessa hora, então, que eu percebi que teria de usar minha última cartada se não quisesse perder a amiga de vez.
― Liz, ok, sério agora. Olha: eu gosto de ti. De verdade. Sempre gostei. Nunca quis falar antes porque senão ia todo mundo ficar "ahh, olha lá o Luke, o idiota que se apaixonou pela melhor amiga", mas... é isso. Eu gosto mesmo. E eu só fiz essa brincadeira porque eu achei que seria uma forma segura de te contar a verdade mas podendo voltar atrás pra salvar nossa amizade, se fosse necessário. Foi idiota, eu sei, desculpa. Desculpa mesmo. Agora, só... vamos sair daqui, ir pra lá, esquecer tudo isso e fingir que nada aconteceu. Pode ser?
Mais um abraço. É, eu sou bom pedindo desculpas. Tudo bem que, se for ver como realmente aconteceu, eu gaguejei pra caralho e tropecei nas palavras bem mais do que gostaria, mas enfim.
Depois da aula, casa. E aquela noite, pra mim, foi um inferno.
Terceiro dia. Apesar de tudo que tinha acontecido nos dias anteriores, nós dois estávamos até que relativamente normais um para com o outro. Fim da aula, vou lá pegar meu ônibus de volta para casa. Fuck, eu não só tinha violado a minha principal regra com relação a amores platônicos e me declarado para uma delas como também havia sido aparentemente desprezado pela mesma. Podia ficar pior?
No ônibus, Lulu me liga.
― Alô, Luke? Podes vir aqui no cursinho comigo e com a Liz? É que nós vamos chegar mais cedo e não vai ter nada pra fazer, então passa aqui umas 18h, pode ser?
― Ok. Beijo, tchau.
Liz e Lulu faziam cursinho à noite juntas, como vocês devem ter notado. Cheguei lá às 18h em ponto, sentei e esperei. Logo as duas chegaram. Passamos um bom tempo conversando, até que chega a minha hora de ir embora.
― Eu te levo lá na frente ― diz Liz.
― Tá ― me levanto e os dois vão caminhando até lá.
― Pareces meio doentinho.
― Nah, é minha rinite. Maldito clima úmido.
― Né.
― Vais amanhã pra aula?
― Aham ― chegamos. ― Então... é isso. Tchau, Liz.
― Tchau.
Abraço.
Separação.
Mãos dela ainda nos meus ombros, me puxam de volta.
Primeiro beijo.
Separa.
— Vais pra aula amanhã? ― ela.
― ... aham.
Voltei pra casa correndo naquela noite e tropecei numas três lixeiras pelo caminho.
FIM DA PARTE I - continua se o meu saco permitir, assim como o de vocês.





















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